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Associação de Tênis de Mesa de Campinas
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Para onde vai a energia da bola?

Oséas Valente de Avilez - TM Campinas

Todos gostam de jogar em boas mesas, e não é só uma questão de gosto, porque as normas do Tênis de Mesa estabelecem que as mesas oficiais devem ter um coeficiente de restituição (ou rebatimento) próximo de 80%.   É isto que quer dizer um dos primeiros artigos (2.1.3) do livro de regras, quando estabelece que se soltarmos uma bola padrão de uma altura de 30 cm, ela deve bater na mesa e subir cerca de 23 cm ( 80% de 30cm = 24cm).

Todos sabemos por experiência própria que nas mesas finas isto não acontece, a bola "não quica". Isto porque a energia potencial da bola a 30 cm de altura (m.g.h), que se transforma em energia cinética durante a queda, é parcialmente perdida durante o choque.  Dizemos que ocorre uma
colisão inelástica.  Em uma situação ideal, de colisão perfeitamente elástica, a bola ficaria indefinidamente indo e voltando até a altura original de 30 cm.

Então para onde vai a energia?

Uma parte desta energia é gasta com as
micro deformações ocorridas na bola e na superfície da mesa que, embora sejam muito pequenas, são reais, e aquecem tanto a bola quanto a mesa.  Este aquecimento, oriundo de choque mecânico com deformação, é melhor sentido nas borrachas. É o mesmo fenômeno que faz com que o solvente da cola vaporize mais rápido e o efeito da cola rápida apareça mais depois do bate-bola. Podemos sentir mesmo que a borracha esquenta após sucessivas batidas.

Outra parte da energia é transformada em onda sonora, e por isso escutamos o barulho da bola batendo na mesa.  Quando jogamos no chão uma daquelas bolas de borracha que pulam muito quase não ouvimos nenhum som.  Neste caso menos energia é transformada em som, e este tipo de bola "pula" mais, ou o choque é mais elástico.

Uma outra parte ainda é "perdida" por atrito com o ar, durante o movimento da bola. Na realidade não é perdida, mas aquece o ar e a superfície da bola, através do atrito desta com as moléculas do ar.

Estas explicações anteriores não parecem ser muito diferentes para uma mesa fina e uma mais espessa, com 25 mm ou mais.  As deformações pontuais na mesa e na bola, o som e o atrito, ocorrem nos dois tipos de mesa.  Onde está a diferença que faz com que na mesa fina a bola não pule?

Aparentemente a resposta a esta questão pode ser obtida, pelo menos em parte, observando melhor o som emitido após o choque.  Isto mesmo, a mesa mais fina vibra com maior amplitude, por ser mais flexível, especialmente se deixamos a bola cair no centro da mesa, onde a estrutura de suporte é menor. Toda a superfície da mesa flexiona no momento do choque, amortecento a bola.  Depois que a bola começa a subir a mesa continua a vibrar, e é esta vibração que escutamos como som.

Nas mesas mais espessas, cuja estrutura é mais rígida, a vibração também ocorre, porém é de menor intensidade e mais localizada, não envolvendo toda a superfície da mesa.  Se prestarmos atenção, vamos ver que o som da mesa espessa é mais agudo, resultado de uma região menor ressoando.

Nas mesas finas o som é mais grave, devido ao comprimento da superfície que entra em vibração.  É como se num caso ouvíssemos o som de um altofalante para agudos (tweeter), de dimensões pequenas, e outro grande, para sons graves, ou ainda as cordas de um cavaquinho comparadas às de um contrabaixo.

Aproveitando o assunto, o mesmo também acontece nas raquetes ditas "rápidas". Em geral mais grossas ou com algum material (como fibra de carbono) que aumenta a rigidez. O som delas é mais seco, mais agudo, pois vibram menos, causam menos perda de energia, diminuindo menos a velocidade da bola, e por isso são chamadas "rápidas".  As raquetes que chamamos de "xoxas", em geral bem finas, são assim chamadas exatamente porque o som que emitem é grave, ou abafado, oriundo da vibração de uma área bem maior.

Campinas - setembro - 2005